Auxílio, abrigo e emprego: o recomeço para mulheres que rompem com a violência em MS

  • 08/08/2026
(Foto: Reprodução)
Auxílio, abrigo e emprego: o recomeço para mulheres que rompem com a violência em MS Denunciar o agressor é apenas o primeiro passo para romper o ciclo da violência. Depois do boletim de ocorrência, muitas mulheres enfrentam outras dúvidas: saber onde morar, como sustentar os filhos e de que forma reconstruir a própria vida. Veja o vídeo acima. Em Mato Grosso do Sul, a mulher pode encontrar uma série de serviços que buscam garantir proteção, autonomia financeira e apoio jurídico às vítimas de violência doméstica. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MS no WhatsApp Confira na reportagem que fecha a série especial do g1 com conteúdos sobre a violência sistêmica contra a mulher em Mato Grosso do Sul. Este mês, também é marcado pela campanha "Agosto Lilás", mês do enfrentamento à violência contra a mulher. LEIA TAMBÉM 'As pessoas me viam com um casamento maravilhoso': os sinais silenciosos de um relacionamento abusivo revelados por quem viveu Mapa da violência sexual: 7 a cada 10 vítimas de estupro são meninas em MS A mulher tem para onde ir depois da denúncia? Uma das principais preocupações de quem decide deixar o agressor é não ter um lugar seguro para morar. Para esses casos, a Casa da Mulher Brasileira conta com um alojamento de passagem que recebe mulheres e seus filhos logo após a denúncia. Segundo a secretária-executiva da Mulher, Angélica Fontanari, o espaço garante proteção imediata enquanto a equipe busca uma solução definitiva. "A hora que a mulher tem coragem e vai buscar ajuda para sair desse ciclo da violência, nós temos o alojamento de passagem. Muitas chegam dizendo que não têm família em Campo Grande, que a casa é do agressor e que não têm para onde ir. Então elas ficam no alojamento, inclusive com os filhos, enquanto nossa equipe faz uma busca ativa por um lugar seguro para que possam recomeçar a vida." Auxílio financeiro para recomeçar Além do acolhimento, mulheres em situação de vulnerabilidade podem ser incluídas no programa Recomeçar Moradia, da Prefeitura de Campo Grande. Após avaliação dos critérios, as beneficiárias recebem um auxílio mensal de R$ 550, por até um ano e meio, para ajudar no pagamento de aluguel ou de despesas básicas. "São ajudas que nós temos à disposição das mulheres e, muitas vezes, elas nem sabem. Esse recurso pode ser usado para pagar um aluguel, uma conta de água, de luz ou até fazer a compra do mês", explica Angélica. Encaminhamento para vagas de emprego A independência financeira é considerada um dos principais fatores para que a mulher consiga romper definitivamente com o ciclo da violência. Por isso, a Secretaria Executiva da Mulher mantém o programa Emprega Mulher, que encaminha vítimas diretamente para entrevistas de emprego. Segundo Angélica, o atendimento leva em consideração a profissão e a região onde a mulher mora para facilitar a contratação. "Ela não precisa ficar peregrinando pela cidade atrás de ajuda. Dependendo da área em que trabalha, muitas já saem daqui com duas ou três entrevistas de emprego agendadas." Cursos gratuitos de capacitação Outra iniciativa é a Escola de Capacitação para Mulheres (ESCAP), que oferece 110 cursos on-line e cerca de 40 cursos presenciais em áreas como administração, contabilidade, empreendedorismo, beleza e estética. Segundo a secretária, embora os cursos virtuais permitam estudar de casa, os presenciais continuam sendo os mais procurados. "As mulheres gostam desse contato, de conversar, compartilhar experiências. Além disso, muitos cursos permitem que elas consigam gerar renda rapidamente." Atendimento em um só lugar Quem decide denunciar a violência também pode resolver questões como divórcio, guarda dos filhos, pensão alimentícia e outras demandas jurídicas na própria Casa da Mulher Brasileira. O local reúne oito instituições, entre elas Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), Defensoria Pública, Ministério Público, Tribunal de Justiça, Polícia Militar, Guarda Civil Metropolitana, Funsat e equipes psicossociais. "Se ela precisar de um alojamento, nós temos. Se precisar da Defensoria para pedir o divórcio, guarda dos filhos ou pensão, ela encontra esse atendimento no mesmo lugar. A mulher sabe que não está sozinha. Existe toda uma rede que vai segurar na mão dela." Medida protetiva pode salvar vidas Outro direito garantido pela Lei Maria da Penha é a medida protetiva de urgência, que também pode ser solicitada pela internet, por meio do portal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS). Segundo Angélica, muitas mulheres acreditam que a medida representa apenas um documento, mas ela pode impedir que a violência continue. "Não é apenas um papel. É uma medida que pode salvar a vida da mulher. Se o agressor descumprir a decisão judicial, ele pode ser preso em flagrante." Aplicativo envia socorro sem desbloquear o celular Mulheres atendidas pela Casa da Mulher Brasileira também podem receber acesso ao aplicativo Proteja Mais Mulher, desenvolvido pela Prefeitura de Campo Grande. Em situações de risco, a vítima consegue acionar um botão de emergência utilizando apenas os botões laterais do celular, sem precisar desbloquear o aparelho. O sistema envia automaticamente a localização para a Guarda Civil Metropolitana, grava alguns segundos do áudio ambiente e direciona a ocorrência para a equipe mais próxima. Segundo Angélica, o aplicativo é destinado às mulheres acompanhadas pela rede de proteção, após avaliação do caso. Onde buscar ajuda As mulheres vítimas de violência podem procurar atendimento pelos seguintes canais: Polícia Militar — 190 Guarda Civil Metropolitana de Campo Grande — 153 Central de Atendimento à Mulher — 180 Casa da Mulher Brasileira, em Campo Grande Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (Deam) ou qualquer delegacia de polícia. Ao reforçar a importância da rede de proteção, Angélica Fontanari destaca que pedir ajuda é o primeiro passo para romper o ciclo da violência. "Quando ela chega à Casa da Mulher Brasileira, sabe que não está sozinha. Há uma rede preparada para acolher, proteger e ajudá-la a reconstruir a própria vida." A Secretária Executiva da Mulher (SEMU) fica na Rua 15 de Novembro, 1373, no Centro de Campo Grande. Já o endereço da DEAM de Campo Grande é na Rua Brasília, 85, no Jardim Ima. Busque ajuda, denuncie! ⚠️Violência contra mulher é crime e pode ser denunciada de forma segura e sigilosa. Em casos de emergência, ligue imediatamente para 190. Para denúncias e orientações, o número 180 fica disponível 24 horas por dia. Também é possível denunciar via WhatsApp pelo número (61) 9610-0180 ou (67) 99180-0542. Casa da Mulher Brasileira em Campo Grande (MS) Divulgação Veja vídeos de Mato Grosso do Sul:

FONTE: https://g1.globo.com/ms/mato-grosso-do-sul/noticia/2026/08/08/auxilio-abrigo-e-emprego-o-recomeco-para-mulheres-que-rompem-com-a-violencia-em-ms.ghtml


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