Mapa da violência sexual: 7 a cada 10 vítimas de estupro são meninas em MS

  • 06/08/2026
(Foto: Reprodução)
Mapa da violência sexual: 7 a cada 10 vítimas de estupro são meninas em MS O Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2026 revelou que 7 a cada 10 vítimas de estupro em Mato Grosso do Sul são meninas de até 17 anos. Os dados são referentes ao ano de 2025. Já neste ano, segundo o Monitor da Violência do estado, foram 1126 casos. A maioria segue sendo de vítimas mulheres e meninas. Veja o vídeo acima. Os dados do Anuário foram divulgados em julho de 2026 e são retomados pelo g1 nesta reportagem, que abre uma série especial de três conteúdos sobre a violência sistêmica contra a mulher em Mato Grosso do Sul. Este mês, também é marcado pela campanha "Agosto Lilás", mês do enfrentamento à violência contra a mulher. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MS no WhatsApp MS tem 5ª maior taxa de estupro do país Segundo o levantamento, o estado tem a quinta maior taxa de estupro do país e é o único fora da Amazônia Legal entre os cinco primeiros colocados. Conforme o monitor, o primeiro semestre de 2026 registrou 996 vítimas, o menor número para o período desde 2016, quando foram contabilizadas 1.053 vítimas no primeiro semestre. Conforme o Monitor da Violência contra a Mulher, da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp-MS), Dourados foi o município com maior número de registro do crime. A maioria das vítimas tem entre 0 e 11 anos. O anuário aponta ainda que os estados com as maiores taxas de estupro têm características em comum: ➡️Estão em fronteiras - Mato Grosso do Sul está na região de fronteira do Brasil com Paraguai e Bolívia; ➡️Grandes extensões territoriais - o estado possui 12 cidades na região fronteiriça; ➡️Presença de povos indígenas - Mato Grosso do Sul tem pelo menos 139 grupos indígenas declarados no estado, segundo o último Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE); ➡️Expansão da agropecuária - só no primeiro trimestre deste ano, o agro no estado cresceu 2% em relação ao mesmo período do ano passado, conforme o IBGE; ➡️Atuação de facções - no estado, em específico o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC). Em todo o país, foram registrados 84.388 casos de estupro em 2025, o equivalente a 39,5 ocorrências por 100 mil habitantes. Foi a primeira queda nos registros desde a pandemia. ⚠️O anuário ressalta que a redução dos registros, por si só, não significa que a violência sexual diminuiu. Também não é possível atribuir a queda apenas à subnotificação. Entre os casos registrados no país, o estupro de vulnerável continua sendo o crime mais frequente. Em 2025, foram 64.990 ocorrências, contra 19.398 casos de estupro, em todo o Brasil. As mulheres representam 93,3% das vítimas de estupro no Brasil. Nos casos de estupro de vulnerável, meninas de até 14 anos correspondem a 85,6% das vítimas. Os dados mostram que os registros de violência sexual contra meninas aumentam desde a primeira infância: 👤entre as meninas, concentram-se entre os 10 e 14 anos e atingem o pico aos 13 anos; 👤entre os meninos, a maior incidência é registrada por volta dos 5 anos e volta a crescer aos 13 anos. Violência contra a mulher O anuário detalha os dados das violências específicas sofridas pelas mulheres em Mato Grosso do Sul: Os registros de lesão corporal dolosa em contexto de violência doméstica cresceram 19,4% na comparação com o ano anterior. Foi o segundo maior aumento do país, atrás apenas do Acre, que registrou alta de 21,1%. Mato Grosso do Sul foi um dos dois únicos estados a registrar queda nos casos de perseguição (stalking), na contramão da tendência nacional. O número de ocorrências recuou 7,8% em relação ao ano anterior. O estado teve a maior redução do país nos registros de violência psicológica contra a mulher. Os casos caíram 44,5% na comparação com o ano anterior. Com 206,5 registros de maus-tratos por 100 mil habitantes, Mato Grosso do Sul lidera o ranking nacional. A taxa é quase três vezes maior que a média do país, de 77,4 casos por 100 mil habitantes. Os registros de lesão corporal dolosa em contexto de violência doméstica aumentaram 19,4%, a segunda maior alta entre os estados. Em todo o país, esse tipo de ocorrência aumentou 2,6% em relação ao ano anterior. A taxa nacional chegou a 261,7 registros por 100 mil mulheres, o equivalente a pelo menos uma agressão a cada dois minutos. Violência contra a mulher © Paulo H. Carvalho/Agência Brasília Feminicídios Mato Grosso do Sul registrou um aumento de 18,75% nos assassinatos de mulheres entre 2023 e 2024, segundo o Atlas da Violência. O número de vítimas passou de 48, em 2023, para 57, em 2024. Segundo Sejusp-MS, os casos de feminicídio também aumentaram, passando de 30 para 35 no mesmo período. Em 2026, 20 mulheres foram assassinadas em Mato Grosso do Sul. Na maioria dos casos, os crimes foram cometidos por ex-companheiros que não aceitavam o fim do relacionamento. Veja abaixo quem são as vítimas. Josefa dos Santos – 44 anos – assassinada em 16/01 na cidade de Bela Vista; Rosana Candia Ohara – 62 anos – assassinada em 24/01 na cidade de Corumbá; Nilza de Almeida Lima – 50 anos – assassinada em 22/02 na cidade de Coxim; Beatriz Benevides – 18 anos – assassinada em 25/02 na cidade de Três Lagoas; Liliane de Souza Bonfim Duarte – 51 anos – atacada em 03/03 em Ponta Porã e morte constatada em 06/03 em Dourados; Leise Aparecida Cruz – de 41 anos – assassinada em 06/03 em Anastácio; Ereni Benites – 44 anos – assassinada em incêndio em 08/03 em Paranhos; Fátima Aparecida da Silva – 58 anos – assassinada em 23/03 em Selvíria; Marlene Brito Rodrigues – 59 anos – assassinada em 06/04 em Campo Grande; Vera Lúcia da Silva – 41 anos – assassinada em 12/04 em Eldorado; Zelita Rodrigues de Souza – 77 anos – assassinada em 30 de abril em Mundo Novo; Fabíola Marcotti – 51 anos – assassinada em 18 de maio em Campo Grande; Maria do Carmo – 66 anos – assassinada em 28 de junho em Naviraí; Paula de Souza Conceição – 29 anos – assassina em 11 de julho em Fátima do Sul; Rosenilda da Oliveira Candelario – 58 anos – assassinada em 17 de julho em Nioaque; Terezinha Nantes de Arruda – 54 anos – assassinada da em 27 de julho em Campo Grande; Ana Cordeiro Goes – 32 anos – assassinada em 30 de julho em Água Clara; Adrielle Encarnação Rodrigues – 26 anos – assassinada em 31 de julho em Corumbá; Rose Batista Cabreira – 41 anos – assassinada em 2 de agosto em Dourados; Adriana Barrios - 27 anos - assassinada em 5 de agosto em Paranhos. Busque ajuda, denuncie! ⚠️Violência contra mulher é crime e pode ser denunciada de forma segura e sigilosa. Em casos de emergência, ligue imediatamente para 190. Para denúncias e orientações, o número 180 fica disponível 24 horas por dia. Também é possível denunciar via WhatsApp pelo número (61) 9610-0180 ou (67) 99180-0542. Casa da Mulher Brasileira em Campo Grande (MS) Divulgação Veja vídeos de Mato Grosso do Sul

FONTE: https://g1.globo.com/ms/mato-grosso-do-sul/noticia/2026/08/06/mapa-da-violencia-sexual-7-a-cada-10-vitimas-de-estupro-sao-meninas-em-ms.ghtml


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