Médica denuncia transfobia e falta de estrutura durante plantão em UPA de Campo Grande

  • 13/04/2026
(Foto: Reprodução)
UPA Coronel Antonino, Campo Grande TV Morena Uma médica de 27 anos registrou ocorrência policial após relatar ter sofrido discriminação por identidade de gênero e enfrentar uma série de problemas estruturais durante um plantão em uma unidade de saúde de Campo Grande (MS), no bairro Monte Castelo, neste domingo (12). De acordo com o boletim, o caso foi registrado como prática de discriminação por LGBTfobia, com base na Lei nº 7.716/89. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 MS no WhatsApp A profissional, que atua na rede municipal e estava de plantão na unidade, contou que assumiu o atendimento por volta das 13h14, já com o setor superlotado. Havia pacientes em estado grave na chamada “sala vermelha”, além de outros aguardando atendimento. Segundo o relato, o fluxo de pacientes não parava de crescer, com chegadas constantes do Samu, Corpo de Bombeiros e outros serviços, mesmo com a unidade já cheia. Isso teria dificultado o atendimento adequado e contínuo dos casos mais graves. Entre os pacientes atendidos estavam casos de choque séptico, insuficiência cardíaca grave, crise falcêmica e problemas respiratórios. Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde informou que apura relato de possível conduta discriminatória, com medidas já em andamento. "A Pasta reforça que não compactua com discriminação e que preserva a identidade dos envolvidos, conforme a LGPD. Há um aumento na demanda por atendimentos nas unidades de urgência e emergência, em razão da sazonalidade de doenças respiratórias. As medidas adotadas seguem diretrizes do Ministério da Saúde, com monitoramento contínuo, adequação de fluxos e apoio de equipe médica móvel." Problemas graves de estrutura e equipamentos Durante atendimento de emergência, a médica precisou realizar uma intubação em um paciente em estado grave. No momento do procedimento, o único ambu disponível na unidade — que já estava remendado — quebrou, se desmontando durante a ventilação. Com isso, o paciente ficou cerca de 30 segundos sem ventilação adequada, chegando a apresentar queda significativa na oxigenação. Diante da falta de outro equipamento em condições de uso, a equipe foi obrigada a improvisar e utilizar um ambu pediátrico em um paciente adulto. A médica apontou diversas falhas que colocaram em risco o atendimento: Falta de equipamentos adequados: havia apenas um ambu (equipamento manual de ventilação), que estava remendado; Equipamento quebrou durante uso: o ambu desmontou no meio de uma intubação de emergência; Ausência de reserva: não havia outro equipamento em condições de uso na unidade; Uso improvisado: foi necessário utilizar um ambu pediátrico em um paciente adulto; Queda de oxigenação do paciente: durante a falha no equipamento, o paciente chegou a ter saturação de 65%; Erro durante procedimento: o tubo do paciente foi danificado acidentalmente durante ajuste; Falta de suporte médico: a profissional relatou que não conseguiu apoio suficiente para atender todos os pacientes ao mesmo tempo; Dificuldade para registrar atendimentos: devido à sobrecarga e ao cenário caótico, não conseguiu fazer evoluções médicas adequadamente. A médica afirmou que chegou a acionar a direção técnica da unidade para avaliar os problemas estruturais e a falta de condições de trabalho. Denúncia de transfobia durante atendimento Veja os vídeos que estão em alta no g1 Ainda conforme o registro, a situação se agravou quando a diretora médica da unidade chegou ao local. A vítima, que se identifica como travesti, afirmou que foi tratada de forma desrespeitosa e teve sua identidade de gênero ignorada. Segundo ela, a superior: Utilizou pronomes masculinos repetidamente, mesmo após correções; Dirigiu-se a ela de forma considerada grosseira; Ignorou as explicações clínicas antes de fazer críticas; Desconsiderou sua autonomia como médica responsável pelo plantão. A profissional relatou que informou claramente seus pronomes femininos e pediu respeito à sua identidade de gênero, mas a conduta teria continuado. Expulsão do plantão De acordo com a denúncia, durante a discussão, a diretora teria elevado o tom de voz e determinado que a médica estava “expulsa” e “banida” da unidade, proibindo seu retorno. A médica disse que pediu a formalização da ordem por escrito, mas o pedido foi negado. Ela afirma que não poderia abandonar o plantão sem esse documento, por questões éticas. Mesmo assim, acabou sendo impedida de continuar suas funções. Antes de sair, a profissional registrou as informações dos pacientes e repassou os casos à equipe. Caso foi parar na polícia Diante da situação, a médica acionou a Polícia Militar ainda durante o plantão e, após o término, procurou a delegacia para registrar o caso. Ela pede providências em relação à discriminação de gênero e também aponta possível abuso de autoridade por parte da superior. A polícia registrou o caso como prática de discriminação por identidade de gênero, o que pode ser enquadrado na Lei de Racismo. O caso será investigado e outras possíveis infrações podem ser identificadas ao longo do inquérito. Veja vídeos de Mato Grosso do Sul:

FONTE: https://g1.globo.com/ms/mato-grosso-do-sul/noticia/2026/04/13/medica-denuncia-transfobia-e-falta-de-estrutura-durante-plantao-em-unidade-de-saude-de-campo-grande.ghtml


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