O que se sabe sobre sequestro de recém-nascida que terminou com resgate no Paraguai e três presos
10/08/2026
(Foto: Reprodução) Suspeito é preso em operação para encontrar bebê que desapareceu em Campo Grande
A recém-nascida Ayla Emanuelly, de menos de um mês, que havia desaparecido em Campo Grande na quinta-feira (6), foi encontrada com vida na madrugada de domingo (9) em Pedro Juan Caballero, no Paraguai. A bebê foi repatriada e está sob os cuidados do Conselho Tutelar de Ponta Porã (MS).
Alex Melo de Abreu e Suzilaine da Graça Costa, que estavam com a bebê, foram presos em flagrante e devem ser transferidos para Campo Grande nesta segunda-feira (10). O rastreamento dos celulares dos suspeitos foi fundamental para localizar a menina. O g1 não encontrou as defesas dos suspeitos.
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Uma equipe da Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca) acompanha o caso. Segundo o Conselho Tutelar de Ponta Porã, Ayla está bem, saudável e em segurança. A família, que mora em Campo Grande, deverá receber atendimento psicossocial da rede de proteção.
➡️A investigação começou após a mãe da bebê, de 17 anos, relatar que foi atraída para uma casa em Campo Grande com a promessa de receber R$ 100 para cuidar da filha de uma mulher que conheceu em um grupo de venda de roupas infantis. No local, ela disse ter sido ameaçada e obrigada a entregar a bebê, levada para o Paraguai e localizada pelos investigadores em uma casa em Pedro Juan Caballero, após cruzamento de dados e cooperação com as forças de segurança do país vizinho.
Veja o que se sabe sobre o caso:
Como o crime aconteceu?
Como a polícia chegou até a bebê?
Como a bebê foi encontrada?
Onde estão os suspeitos?
O que aconteceu com a família?
Quem participou das buscas?
O que ainda falta esclarecer?
Como o crime aconteceu?
Bebê foi entregue ao Conselho Tutelar de Ponta Porã (MS)
Divulgação
Segundo o relato da mãe à Polícia Militar, ela conheceu uma mulher por meio de um grupo de venda de roupas para crianças. Depois de conversarem, a mulher teria oferecido R$ 100 para que a adolescente cuidasse da filha dela.
A mãe de Ayla aceitou a proposta e foi até o endereço indicado, no Bairro Universitário, na quinta-feira (6). Ela estava acompanhada da irmã, de 12 anos, e da bebê.
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Segundo o depoimento, as três foram recebidas pela mulher, que ofereceu água. A adolescente afirmou que não dormiu após beber, mas a irmã adormeceu e só acordou por volta das 20h.
Ainda conforme o relato, a mãe de Ayla foi ameaçada e obrigada a entregar a filha. Ela contou que ouviu que, caso se recusasse, ela e a irmã seriam "jogadas em um buraco".
A bebê foi levada do imóvel. As duas irmãs deixaram o local por volta de 1h da madrugada de sexta-feira (7). O celular da mãe também foi levado. Segundo a adolescente, havia cerca de 10 homens na casa, além da mulher que havia feito a proposta.
Como a polícia chegou até a bebê?
A bebê foi encontrada no imóvel, onde estava com um casal de brasileiros. Os dois foram presos.
Reprodução/ Polícia do Paraguai
Depois do registro do desaparecimento, a Depca iniciou as investigações para descobrir quem havia levado Ayla e para onde ela tinha sido levada.
Ainda na sexta-feira (7), o Ministério da Justiça emitiu o alerta "Amber Alert Brasil" para ajudar na localização de Ayla. Foi a primeira vez que a ferramenta foi utilizada em Mato Grosso do Sul.
🔎O que é o Amber Alert Brasil ? O sistema é usado para ampliar a divulgação de casos de desaparecimento de crianças quando existe suspeita de rapto ou sequestro. As informações são compartilhadas para aumentar as chances de localização.
No domingo, os dois suspeitos foram presos em flagrante com a criança. O g1 não encontrou a defesa dos suspeitos.
Para chegar nos suspeitos, os investigadores fizeram levantamentos, cruzaram informações e realizaram diligências. Durante as apurações, surgiram indícios de que a criança poderia ter sido levada para o Paraguai. O rastreamento dos celulares dos suspeitos foi fundamental para encontrar a criança.
A Polícia Civil de Ponta Porã foi acionada pela Depca, e as informações foram compartilhadas com as autoridades paraguaias por meio da cooperação entre as forças dos dois países. O Comando Bipartito, grupo que reúne policiais brasileiros e paraguaios, passou a atuar no caso, junto com equipes especializadas do Paraguai.
A partir das informações levantadas pela polícia brasileira, as autoridades paraguaias conseguiram identificar o imóvel onde havia suspeita de que Ayla estivesse.
Como a bebê foi encontrada?
Bebê foi encontrada em uma casa em Pedro Juan Caballero, no Paraguai, durante operação conjunta entre policiais dos dois países.
Divulgação
Por volta de 1h15 deste domingo, equipes do Comando Bipartito de Pedro Juan Caballero, com apoio do Grupo Antissequestro (DAS), da Direção de Polícia do Amambay e de operadores táticos, cumpriram um mandado de busca em uma residência.
Ayla foi encontrada no imóvel, na companhia de um casal de brasileiros. Os policiais também apreenderam celulares, documentos e um veículo, que serão analisados pela investigação.
Depois de ser localizada, a bebê foi levada ao Hospital Regional de Pedro Juan Caballero para receber atendimento. Em seguida, foi repatriada e entregue ao Conselho Tutelar de Ponta Porã, onde permanece até o momento.
Onde estão os suspeitos?
O casal que estava com Ayla também permanece em Ponta Porã. Os dois foram presos e estão custodiados em flagrante.
Eles devem ser levados para Campo Grande nesta segunda-feira (10). Uma equipe da Depca foi até Ponta Porã para acompanhar os procedimentos. Como o caso é investigado pela delegacia especializada, os envolvidos deverão ser ouvidos pelos investigadores em Campo Grande.
Antes da localização de Ayla no Paraguai, um homem suspeito de envolvimento no caso foi preso em Campo Grande, no sábado (8). Segundo a polícia, ele teria emprestado a casa onde a bebê foi levada e que teria sido usada como cativeiro. Neste domingo, a prisão preventiva foi decretada durante audiência de custódia.
A defesa, representada pelos advogados Renan Vieira e Dendry Rios, informou ao g1 que está tomando conhecimento dos detalhes do caso e que pretende demonstrar que o cliente não tem relação direta com os fatos atribuídos a ele.
O que aconteceu com a família?
Ayla está sob os cuidados do Conselho Tutelar de Ponta Porã. A família deverá passar por atendimento da rede de proteção a partir desta segunda-feira. O objetivo é acompanhar a criança e os familiares após o sequestro e definir os próximos encaminhamentos.
Quem participou das buscas?
A investigação é conduzida pela Depca, com apoio do Garras, da Defurv e da Delegacia Regional de Ponta Porã.
No Paraguai, participaram das buscas o Comando Bipartito de Pedro Juan Caballero, o Grupo Antissequestro (DAS), a Direção de Polícia do Amambay e outras unidades da Polícia Nacional paraguaia.
A operação também contou com apoio de agentes do Consulado Americano em São Paulo.
O que ainda falta esclarecer?
A investigação ainda precisa reconstruir toda a dinâmica do sequestro, desde a abordagem da mãe até a chegada de Ayla ao Paraguai.
A polícia também busca descobrir quem planejou o crime, qual foi a participação de cada suspeito, quem ajudou a levar a bebê para fora do Brasil e se outras pessoas participaram da ação.
Os celulares, documentos e o veículo apreendidos no Paraguai deverão ser analisados e podem ajudar a responder essas perguntas.
A polícia também deve ouvir os suspeitos e outras pessoas ligadas ao caso para esclarecer como o sequestro foi organizado e executado.