Paciente fica encharcada de urina até o pescoço após cirurgia, e hospital é condenado a pagar R$ 15 mil
21/09/2026
(Foto: Reprodução) Caso foi julgado no Tribunal de Justiça em Campo Grande
Divulgação/TJMS
Uma mulher que havia acabado de passar por uma cirurgia relatou ter ficado cerca de quatro horas e meia molhada de urina após uma sonda apresentar vazamento em um hospital de Campo Grande. A unidade foi condenada a pagar R$ 15 mil por danos morais.
Segundo o processo, o problema começou logo após ela ser levada para o quarto. A cama ficou molhada e, conforme o relato da mulher, a urina chegou até a altura do pescoço. Sem conseguir se locomover sozinha devido à cirurgia, ela e familiares pediram ajuda à equipe de enfermagem.
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Uma técnica identificou o problema no dispositivo, mas, conforme a ação, não fez a troca por falta de autorização da enfermeira responsável. A sonda foi substituída cerca de quatro horas e meia depois.
A mulher afirmou ainda que a urina atingiu a malha cirúrgica usada no procedimento, que precisou ser trocada antes do previsto. Na ação, relatou sofrimento físico, constrangimento, angústia e preocupação com o risco de infecção.
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O que disse o hospital
O hospital alegou que a colocação da sonda era responsabilidade do médico-cirurgião e que não havia registro de falha da equipe de enfermagem no prontuário. Também afirmou que o tempo de espera era justificável pelos protocolos de classificação de risco.
A perícia realizada durante o processo não identificou sequelas permanentes, mas apontou que o vazamento de uma sonda vesical exige intervenção imediata.
Decisão
Para o juiz Juliano Rodrigues Valentim, da 3ª Vara Cível de Campo Grande, o caso não poderia ser tratado como uma intercorrência comum do pós-operatório, já que o problema foi comunicado à equipe e exigia providência rápida.
A sentença também destacou que protocolos internos e classificação de risco não afastam o dever de prestar cuidados básicos e contínuos.
O magistrado rejeitou ainda o argumento de que a responsabilidade caberia ao cirurgião. Segundo a decisão, o problema ocorreu durante a manutenção e o manejo da sonda no pós-operatório, atividade ligada à assistência de enfermagem.
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